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Com a expectativa de seu primeiro circuito de debates na Compós, o GT Comunicação e Cidadania busca se consolidar pela urgência dos temas que propõe debater e já é destaque pelo número de inscrições. É o segundo GT mais procurado no encontro deste ano.

Nesta entrevista, a coordenadora do grupo, Denise Cogo, fala sobre a pesquisa do tema no país e a importância da Compós  para “a constituição de um espaço de debate efetivo que atribua visibilidade, reflita e contribua para qualificar a pesquisa em comunicação e cidadania” no país.

Leia a entrevista completa com a professora e pesquisadora da Unisinos:

Site da Compós 2011 – Quais são as principais questões que serão debatidas no GT Comunicação e Cidadania neste ano?

Denise Cogo – Nesse primeiro ano de funcionamento do GT Comunicação e Cidadania, os 10 trabalhos selecionados, dentre os 32 inscritos, abrangem pelo menos três blocos de questões. O primeiro está composto de discussões que buscam situar as especificidades epistemológicas e metodológicas da pesquisa em comunicação e cidadania. O segundo é constituído por pesquisas empíricas, de caráter qualitativo, sobre os processos de cidadania nas apropriações, por setores sociais, das tecnologias da comunicação, como a Internet e a televisão digital. O terceiro bloco se compõe de pesquisas, também qualitativas, orientadas à compreensão das relações entre dimensões das cidadanias política e cultural (ou intercultural) no âmbito dos chamados novos movimentos sociais e os usos das mídias por setores específicos desses movimentos, como os movimentos juvenis, a terceira idade, as migrações, os movimentos indígenas e o movimento dos sem-terra.

Site da Compós 2011 – Quais são as suas expectativas, como coordenador, em relação aos debates e à participação do público?

Denise – Nesse primeiro ano de funcionamento do GT esperamos a constituição de um espaço de debate efetivo que atribua visibilidade, reflita e contribua para qualificar a pesquisa em comunicação e cidadania desenvolvida nos diferentes Programas de Pós-Graduação do país. Esperamos também que o GT, cuja proposição no processo de reclivagem da Compós partiu de um conjunto amplo de pesquisadores que vem se dedicando a estudos na interface comunicação e cidadania, se consolide como um espaço de convergência de entendimentos do que poderia abrigar a pesquisa em comunicação e cidadania. Sem deixar, evidentemente, de contemplar a diversidade teórico-metodológica, que tem caracterizado os estudos nessa área no contexto da pós-graduação brasileira. Nossa intenção é também dar transparência e consolidar, com a participação dos pesquisadores, os critérios de seleção dos textos e a atuação do comitê científico a partir dos parâmetros definidos pela Compós e da experiência efetiva desse primeiro ano de avaliação dos artigos. A expectativa é também de uma participação do púbico que reflita o próprio crescimento da pesquisa em comunicação e cidadania, evidenciado nas linhas e grupos de pesquisa criados nos PPGs em Comunicação de todas as regiões do país nos últimos anos.

Site da Compós 2011 – Que avaliação é possível fazer da produção nesta área, nos programas de pós-graduação, a partir dos trabalhos submetidos ao GT Comunicação e Cidadania neste ano?

Denise – Em primeiro lugar, valeria destacar que os 32 trabalhos inscritos que situaram o GT como o segundo mais procurado no congresso da Compós de 2011, já é uma evidência do crescimento expressivo da pesquisa em comunicação e cidadania no contexto da Pós-Graduação em Comunicação no Brasil nos últimos anos. O conjunto de trabalhos inscritos reflete ainda algumas tendências de pesquisas nessa interface que já vem se delineando a partir da sua presença na pós-graduação brasileira e da visibilidade que vem tendo esses trabalhos em outros fóruns acadêmicos nacionais e internacionais da área da comunicação como a Intercom, Alaic e IAMCR. Em termos de avaliação da produção, aos três blocos de questões mencionados anteriormente sobre os trabalhos selecionados, se agregam ainda textos que abordam outras três perspectivas: comunicação cidadã e questões socioambientais; processos de comunicação e cidadania no marco da economia política e das políticas de comunicação; práticas de comunicação cidadã em espaços educativos e comunicação e práticas de comunicação comunitária e local. Em termos metodológicos, é privilegiada a pesquisa empírica e as metodologias de caráter qualitativo, com destaque para os estudos de caso. Alguns trabalhos, no entanto, têm por foco central justamente a discussão de questões teóricas e metodológicas referente ao campo conceitual da comunicação e cidadania.

Site da Compós 2011 – Na sua avaliação, quais são as grandes frentes de pesquisa sobre o tema do GT Comunicação e Cidadania no país?

Denise – Podemos identificar algumas frentes que vão ganhando impulso e expressividade nos últimos anos como decorrência da preocupação dos pesquisadores com processos socioculturais, políticos e econômicos vivenciados na contemporaneidade por setores e movimentos sociais nos âmbitos local, nacional e transnacional. Uma delas diz respeito a um interesse em pesquisar as dinâmicas de interação comunicacional, assim como os processos socioculturais e políticos que envolvem o acesso, apropriação, usos e mobilização que decorrem da presença das tecnologias da comunicação, como a Internet, na vida social.

Uma segunda frente seria relativa aos processos comunicacionais e midiáticos vinculados às experiências de cidadania comunicativa dos chamados novos movimentos sociais em que a dimensão cultural ou intercultural assume especial relevância e se expressa em estudos de comunicação e cidadania ancorados em questões de etnicidade, gênero, juventude, etc.
Uma terceira frente de pesquisa estaria representada por pesquisas que buscam refletir sobre as atuais práticas de comunicação em âmbito global e transnacional desenvolvidas por redes de movimentos sociais como os movimentos de ativismo global, as migrações, etc., em que também a presença de tecnologias como a Internet tem sido central.
Podemos dizer que há uma quarta frente de pesquisa que continua tendo presença e se reatualiza a partir de estudos sobre as práticas comunicacionais contra-hegemônicas no marco das culturas populares e da comunicação comunitária e locais, como, por exemplo, as rádios comunitárias, as expressões da religiosidade popular, etc. Por fim, a quinta frente de investigação está dedicada aos estudo das políticas de comunicação e economia política dos meios que tem tido lugar importante e crescido no contexto dos programas de pós-graduação nesses últimos anos.
Denise Cogo é professora titular do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Comunicação da Unisinos, onde coordena o grupo de pesquisa Mídia, Cultura e Cidadania (www.gpmidiacidadania.com). Possui pós-doutorado em Comunicação na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e doutorado e mestrado em Ciências da Comunicação na USP. Coordenou o Programa Acadêmico de Cooperação Internacional Brasil-Espanha Unisinos-UAB, financiado por CAPES-MECD, entre 2004 e 2008. É bolsista de Produtividade Nível 2, do CNPq, consultora da CAPES, do CNPq e da Fundação Carlos Chagas. Atua na área de Comunicação, com ênfase em comunicação e cidadania, estudos culturais latino-americanos e estudos de recepção.
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